2010/12/19

Passeio, almoço e jantar de Natal [19 Dez. 2010]

Por: Jorge Lami Leal

O ponto de encontro e respectivo pequeno-almoço estava marcado a partir das 10 horas. O passeio depois disso. Vieram pessoas um pouco de todo o Algarve, assim como de várias terras d’Estremadura. Juntámos muitas motos, com a desculpa de um pequeno passeio, um almoço de gastronomia algarvia e um jantar especial – de Natal.

O estacionamento “recheado”



Uma ponte para mais um passeio


Um grupo partiu da praia de Faro em direcção ao Patacão e dali, por Santa Bárbara de Nexe, para o Palácio de Estoi, contornando por dentro desta bela aldeia, saindo direitos ao Cerro do Guelhim (um dos “faróis” naturais e pontos de orientação à navegação desta área) e dali até ao cume do Cerro de S. Miguel, pela encosta norte. Outro grupo partiu para uma verdadeira expedição de quilómetros… mas esta é outra história.



Nesta parte do percurso rolamos calmamente, sempre por estradas estreitas, ladeadas por vegetação silvestre. Chegados a um dos pontos mais altos do Algarve – o Cerro de S. Miguel – fizemos a habitual pausa para foto de grupo e para esticar as pernas. Esta elevação (também conhecida por Monte Figo) foi em tempos um farol e uma referência para navegantes e pescadores. O caminho que nos levou até ao topo foi provavelmente feito para transportar a lenha, necessária para alimentar o facho nocturno, permitido naqueles séculos orientar todos aqueles que passavam ao largo desta parte da costa algarvia, também de noite. Existem referências fenícias, gregas (Monte Zéfiro), romanas, árabes, dos primeiros tempos da reconquista cristã até aos Descobrimentos, enfim, os povos que por aqui passaram viram as suas características facilitadoras da orientação náutica, que actualmente a tecnologia tornou obsoleta. É hoje um importante centro retransmissor de telecomunicações e não só. Consta que a primeira parte de Portugal que o Infante D. Henrique viu, aquando do seu regresso da Campanha de Ceuta, foi este monte, atribuindo-lhe o nome pelo qual ainda hoje é conhecido.

O Cerro de S. Miguel


O “grupo da manhã”






(ao fundo) a Ria Formosa e o Oceano Atlântico

Descemos pouco tempo depois até Moncarapacho, seguindo pelo barrocal até Estiramantens. Depois, por entre muros de pedra, casas típicas, hortas agrícolas, pomares e localidades quase esquecidas, descemos até ao litoral, cruzando (quase imperceptivelmente para aqueles que não conhecem estes caminhos) a EN125, continuando por estreitos caminhos até ao lugar do Pinheiro, que é banhado pelas águas calmas da Ria Formosa e onde tínhamos marcado o almoço.

Pelo barrocal


Uma casa típica desta zona do Barrocal Algarvio


Por entre muros de pedra...







A imponente torre de uma casa agrícola algarvia



Uma velha e decrépita nora

A Marisqueira Fialho é um espaço de gastronomia algarvia como poucos. De aspecto rude e espartano, uma casa algarvia modificada, ampliada e adaptada em restaurante, é na mão dos cozinheiros e na simpatia dos empregados de mesa que reside a excelência deste espaço. Come-se peixe fresco a uma série de outros petiscos. A nossa opção recaiu pelo arroz de lingueirão, molusco desta costa, que é aqui servido em tachos de barro. Como entradas optamos pelas conquilha ao alho. Fomos muito bem servidos, como sempre, a preços pouco acima dos 15€ – o que para a qualidade e quantidade do que comemos, considerando a região que é, foi uma autêntica pechincha!

A Ria Formosa – Pinheiro, Tavira


O Arroz de Lingueirão em tacho de barro


A Marisqueira Fialho – Pinheiro, Tavira



Um descanso inusitado


Uma das motos do dia: BMW R1200 HP2 Megamoto


Uma das motos do dia: BMW K1300 S


Uma das motos do dia: BMW R1200 RT


Uma das motos do dia: BMW R1200 GS


Uma das motos do dia: BMW R1200 GSA


Um ângulo do ângulo


Uma das motos do dia: BMW R1200 GS


Uma das motos do dia: BMW R1200 GSA

Uma das motos do dia: BMW R1200 RT


A conversa decorreu solta até por volta das 16 horas. O jantar de Natal estava marcado para as 17 horas, pelo que lá conseguimos afastar a barriga da mesa, para cima das motos e nelas seguir, novamente pelo interior algarvio, primeiro em direcção a Tavira, depois para Santa Catarina da Fonte do Bispo, São Brás de Alportel, Loulé e, em Boliqueime, saímos das estradas mais esquecidas e entramos na EN125, até ao “Lá em Casa”, em Albufeira.

Um apoio de pesca - Ria Formosa


Torre de vigia (defesa marítima) - Torre d'Aires, Tavira


Igreja NS Conceição (séc. XVI) - Conceição de Tavira, Tavira


Platibanda típica - Conceição de Tavira, Tavira






Pôr-do-sol





Uma das motos do dia: BMW R1200 GSA




BMW R1150 GS


BMW R1200 GSA


BMW R1200 GSA


BMW R1200 GSA 30Y


Fomos dos primeiros a chegar e lá recebemos mais amigos e motos (também alguns carros) para o já tradicional Jantar de Natal do Sul, deste grupo de amantes das duas rodas, em especial da marca da “hélice”. Chegámos de vários pontos do país, mas todos com vontade de passar uma noite entre amigos. Foi o que aconteceu. Melhor do que descrever como foi este jantar são as fotos que ficam para a posteridade… para o ano há mais… e entretanto também!!

Logótipo BMW (escultura em abóbora) - Restaurante "Lá em Casa Grill", Albufeira


Mesa de entradas à "Chefe" - Restaurante "Lá em Casa Grill", Albufeira


Mesa de entradas à "Chefe" - Restaurante "Lá em Casa Grill", Albufeira


Caipirinha "à casa" - Restaurante "Lá em Casa Grill", Albufeira


Pormenor de escultura em abóbora
- Restaurante "Lá em Casa Grill", Albufeira


Uma das motos do dia: BMW R1200 GSA


Uma das motos do dia: Ducati Multistrada 1200


Restaurante "Lá em Casa Grill" – Albufeira


Uma das motos do dia: BMW R1200 GS


Uma das motos do dia: BMW R1200 GSA


Jantar de Natal









Estivemos muitos. Cerca de 18 motos, alguns carros... a pé não consta que alguém tenha vindo. 

Boas Festas e até 2011!!


































































































































































2010/12/08

O alerta era mesmo de que cor?

Por: Jorge Lami Leal

A Protecção Civil anunciara um alerta amarelo para, entre outros, dia 8 de Dezembro, feriado Nacional. Mas já estava em marcha e em esboço um passeio… quando a “máquina” está em marcha, o que é um alerta amarelo para impedir que andemos de moto? Na verdade, nada. Ou muito pouco… ;-)

O dia acordou muito mal disposto. Chuva em cima de chuva, um céu carregado de zangadas nuvens escuras, cheias de vontade de disparatar contra quem tentasse sair do calor da cama ou da protecção do telhado. Mas como existem valores mais altos que a natureza (é pelo menos a minha natureza!) fiz-me à estrada. Não eram ainda 8h45m e já estava no ponto de encontro combinado – a ilha de Faro. Assim que saí do tabuleiro da ponte levei uma “flashada”, que estranhei, pois entrara bem devagar, face à muita areia acumulada no chão. O tempo não estava para controlos de velocidade ou de qualquer outra natureza, nem é costume este tipo de “actividade” por ali. Parei a moto, preparando-me para olhar para o posto de vigia da GNR quando… ouço uma brutal trovoada. Afinal o flash tinha sido um relâmpago. Segui então até ao final do estacionamento central, que dá para o areal. Tirando o muro que os divide, o cenário era semelhante. Os ventos fortes que assolaram ultimamente esta zona do Algarve fizeram acumular muita areia em cima do estacionamento, na parte central da ilha. Com algum cuidado, para não deixar cair os muitos quilos da minha moto no chão, lá me dirigi para a estalagem onde já estava um dos meus companheiros, que tinha saído da capital de madrugada, para nos desassossegar. Existiam nesse dia mais dois passeios de moto organizados por pessoas que conheço, um deles exclusivo, de e para mulheres. Não deixa de ser interessante para o dia que estava. Pelo que sei, foram todos um sucesso!

A ilha de Faro ao fundo








Depois da habitual “cavaqueira”, lá seguimos estrada fora, com a chuva a cair sobre nós com uma intensidade tal que, não impedindo de todo a condução, não deixava de nos colocar à prova. As motos – estas motos pelo menos – são de facto fantásticas. Já tinha andado com chuva mais forte, ou com vento muito mais forte, mas nunca em grupo. Estas máquinas são do melhor! Claro que a “maluquice” dos condutores também ajuda, e muito.

Choveu até à primeira paragem de abastecimento. Surpreendentemente, depois e até ao local onde fomos, o dia abriu-se um pouco e brindou-nos com um resto de manhã muito razoável e uma tarde – para a estação do ano – muito agradável.





Beja era o nosso destino intermédio. Usámos o IC1 enquanto outros companheiros, depois da habitual despedida, seguiram para a capital por auto-estrada. Para regresso, as curvas da Serra do Caldeirão pareceram-nos a melhor forma de fechar o passeio.


A Serra é bem agradável, especialmente se nos deslocarmos a uma velocidade prudente, evitando ou antevendo as eventuais surpresas que podiam ter rolado para a estrada com o mau tempo. É uma estrada que requer atenção, especialmente quando estamos antes de uma curva em “cotovelo”. Tivemos sorte e esteve sempre relativamente limpa. As vistas foram “sol de pouca dura” (ou melhor: onde estava o sol!?!?) já que pouco depois de passarmos Almodôvar, entrámos para dentro de um nevoeiro que envolveu e tirou qualquer visibilidade da paisagem, do horizonte, apenas permitindo ver umas centenas de metros de estrada. Não era muito denso para ser perigoso, mas suficiente para se tornar divertido, diferente do habitual. Só abriu na descida da serra, ao entrarmos na vila de Alportel. Depois, em São Brás de Alportel, uma conversa final e dispersamos, cada um seguindo para um lado do Algarve.





















Foi mais um dia, mais um passeio. Este foi no entanto diferente. Foi muito agradável e voltando ao alerta amarelo, só mesmo a GS do nosso “road leader” tinha esta cor. ;-)

A BMW R1200 GS “amarela” do nosso road leader de hoje

BMW K1300 S

BMW R1200 RT

A minha BMW R1200 RT

Uma curiosidade deste passeio: metade das motos eram RT’s e apenas uma GS no grupo… nenhuma GSA. Normalmente as GS/GSA deste grupo são a esmagadora maioria. Há dias cheios de curiosidades!!